Domingo, 23 de Setembro de 2007

A mãe não deitou uma única lágrima

Madeleine brincou com o pai na praia, junto aos baloiços, e comeu um gelado. Parecia feliz e nada faria antever a tragédia que se abateria horas depois, tornando este caso num dos desaparecimentos de crianças com maior impacto mediático em todo o Mundo.

“Estavam todos juntos. Apenas as crianças comeram o menu infantil – a Madeleine pediu esparguete à bolonhesa, enquanto os adultos beberam cerveja. Não houve grandes excessos e pareciam famílias normais. Só prestámos atenção ao caso no dia seguinte, quando soubemos do desaparecimento da criança”, contou ao CM um dos empregados que serviram o grupo.


O suporte magnético a comprovar a estadia dos McCann no restaurante Paraíso foi entregue às autoridades na semana seguinte. A confirmar o que já havia sido testemunhado pelos funcionários do restaurante, Madeleine deixou o Paraíso pelas 18h15 e regressou ao apartamento, no Ocean Club. Uma imagem de grande qualidade foi captada quando a menina se encontrava junto à arca dos gelados com o pai. Escolhia a sobremesa, e a câmara, colocada naquele local, registava o último momento da criança com vida que foi captado.

O mistério começa a partir desse momento. O que aconteceu entre as 18h30 e as 20h00 é a grande dúvida dos investigadores da Polícia Judiciária, que defendem a tese de acidente e acreditam que Madeleine morreu pouco tempo depois de ter deixado o bar de praia.

“Eles entraram no restaurante por volta das 20h00. Era um grupo grande e todos os dias jantavam no Tapas. Fizeram-no mais uma vez nesse dia, e não achámos nada de estranho”, contou depois ao CM um empregado do restaurante que serviu o casal.

Kate, Gerry e os amigos estavam numa mesa oval, bem no centro do Tapas, o restaurante do Ocean Club. Antes de jantar pediram aperitivos (‘daikiris’ de morango) e só depois das 21h00 é que as refeições começaram a chegar à mesa. O grupo estava animado e ninguém supunha que horas depois fosse dado o alerta do desaparecimento da criança.

“Já não consigo dizer o que jantaram. Nem sei exactamente quem se levantou da mesa e quando o fizeram. A única coisa de que tenho a certeza é que não iam de 15 em 15 minutos ver as crianças aos quartos”, continuou outro empregado do mesmo restaurante, lembrando que o maior espanto quando o alerta do desaparecimento foi dado foi saber que o grupo tinha crianças. “Nunca os vimos com os miúdos. Os McCann e os amigos vinham sempre sozinhos. Presumimos agora que as crianças ficavam sempre a dormir nos quartos sozinhas.”

21h00, o jantar é servido. Um dos funcionários recorda-se que nesse momento um dos elementos do grupo não estava na mesa. Pela descrição física coincide com Russel O'Brien, o médico que, ouvido pela PJ, garantiu ter ido ao quarto de Madeleine sensivelmente àquela hora. “Disse ‘recordo-me’ porque ele não estava na mesa quando veio a comida. Alguém do grupo nos pediu para guardarmos a refeição, que ele estava a chegar. Foi o que fizemos, e o homem foi servido uns minutos mais tarde”.

Pouco passava das 22h00 quando tudo se precipitou. Kate foi ao quarto e gritou da varanda. Os empregados não conseguem recordar-se de quantos minutos antes a mãe de Madeleine saiu da mesa. Só sabem que, quando pede ajuda, Kate já estava junto à casa, com uma das mulheres do grupo. Parecia histérica e só dizia que alguém levara Madeleine. “Estava aos gritos. Parecia histérica e dizia que tinham roubado a miúda. Toda a gente saiu da mesa e gerou-se a confusão. Com tudo a ir para o apartamento ver o que se passava.”

O mesmo empregado acabou por chamar a GNR pelas 22h40. Já teriam passado mais de 30 minutos sobre a altura em que foi dado o alerta do desaparecimento da menina e, sabe-se agora, já Kate tinha ligado para a Sky News. Também Pamela Fenn, vizinha de cima, perguntara se precisavam de ajuda. Disponibilizara-se para alertar as autoridades mas a sugestão terá sido declinada por Kate, que demorou mais de meia hora a pedir auxílio.

“O que mais estranhei foi que a mãe nunca saiu do apartamento. Andámos todos nas redondezas à procura da miúda. Corremos tudo e ela ficou na casa. É claro que abalada mas sem procurar a filha.”

23h00. Os responsáveis do Ocean Club chegam ao apartamento. A GNR já enviou para o local dois elementos que não falam inglês.Tentam perceber o ocorrido, ouvem as explicações dos funcionários e, incrédulos, avisam a PJ para a possibilidade de rapto.

“Nesse tempo a mãe não deitou uma única lágrima. O que mais me chocou foi que só percebi que se tratava da filha da Kate quando ela entregou os documentos ao GNR. Até aí não tinha percebido que aquela era a mãe”, continua outra testemunha ao CM, recordando que nas horas seguintes Kate se manteve no apartamento.

“Nunca procurou a filha. Estava relativamente calma, falava com outras mulheres do grupo. O Gerry parecia mais afectado, corria pela rua e gritava o nome da Madeleine.”

Pelas 02h00, os elementos da PJ pedem ao casal McCann que abandone o apartamento. Queriam fazer a inspecção no local, recolher vestígios que consolidassem a tese de rapto. “Foi uma das amigas que foi buscar os gémeos. Continuavam a dormir profundamente, mesmo com aquela confusão, e foram levados ao colo para outro quarto. Nunca acordaram e nem se aperceberam do que aconteceu”, acrescentou a mesma testemunha, que diz não ter visto o peluche que mais tarde Kate passou a usar como amuleto no quarto de onde a criança desapareceu.

A reconstituição feita pelo CM mostra ainda que a porta da sala, nas traseiras do apartamento onde dormia Maddie e os irmãos, estava aberta. “Era por ali que iam ver os miúdos. A persiana estava aberta e bastava abrir as janelas para entrar na casa. Se alguém o tivesse feito eles não conseguiam vê-lo a partir do restaurante. E por isso não se percebe como deixavam os miúdos sozinhos”, continua outra testemunha.

CM 22/09/07


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publicado por arco íris às 01:36

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